A SERRA DE ITABAIANA

Por José de Almeida Bispo

A Serra de Santa Maria da Graça[1] pode não ter preservado esse nome dado por Américo Vespúcio em outubro de 1501; mas se revestiu de grande importância na História do Brasil por pelo menos seus dois primeiros séculos.

O navegador Américo Vespúcio é de onde vem o nome do continente: AMÉRICA.

Mapa: Universalis Cosmographia Secundum Ptholemai Traditionen et Americi Vespucii Lustrationes, de Martin Waldseenmüller.

O NOME ITABAIANA

O termo Itabaiana já tem o nome serra aí incluído; por que é uma expressão indígena que quer dizer “Serra dos homens de onde vem os rios, ou águas”.  Outras significados são usados, inclusive em âmbito universitário, porém, completamente destoante da realidade porque a expressão original é It’aba’ü’one, e não “ita aba oane”, como defendem alguns[2].

 

Na Itabaiana - a região - nascem os rios Cotinguiba e Poxim (Serra Comprida), e Jacaracica (Serra do Boqueirão, entre Itabaiana, Ribeirópolis e Frei Paulo). Já na Serra de Itabaiana – a Itabaiana-açu, ou grande - nasce o Rio das Pedras, em cima dela, além de vários riachos que reforçam este rio e o Rio Jacaracica.

Boa parte dos primeiros documentos referentes à Itabaiana (região) são grafados com um “Y”, correspondete a um som próximo do “ü” tremado em alemão.

A SERRA DA PRATA

Durante dois séculos, e especialmente no século XVII, antes de ser encontrado ouro em Minas Gerais e na Jacobina, as serras da Itabaiana, especialmente a mais alta foram palco de intensas buscas de prata e também de ouro. Em 1695 foi encontrado ouro em algum lugar da hoje serra Comprida, mas como era muito próximo do mar e sujeito a invasões, abandonou-se a ideia de extração e escondeu-se isso a sete chaves, perdendo o local exato da descoberta[3].

 

CARACTERÍSTICAS

A Serra de Itabaiana, residual e a mais alta do Domo de Itabaiana constitui-se num tesouro geomorfobiológico pelo fato de ter uma geologia e morfologia atípica em relação às terras vizinhas, e, principalmente, ser área de transição entre a chuvosa Zona da Mata e a Caatinga seca, abrigando por isso uma flora muito diversificada que vai de mangue a caatinga propriamente dita passando por Mata Atlântica e Cerrados.

 

O TURISMO ECOLÓGICO

Motivo de cuidados de gerações e gerações de autoridades e intelectuais sergipanos, na década de 1920 começaram a crescer as ideias de transformação do entorno da Itabaiana-açu, ou serra de Itabaiana como hoje conhecemos, em local de passeios. Com aparecimento das reservas biológicas e dos parques nacionais, do turismo ecológico e mais o advento da Universidade Federal de Sergipe, e com o ingresso maciço de itabaianenses nela, começou a nascer a ideia da criação de um parque ecológico, com a criação no início dos anos 1990 da Reserva Biológica da Serra de Itabaiana, e sua transformação em Parque Nacional em 15 de junho de 2005, processo ainda inconcluso.

 

_______________________________________

[1] A denominação aparece no primeiro mapa-mundi a aparecer o termo América, feito por Martin Waldseemüller com informações prestadas pelo próprio Américo Vespucio, e publicado em Amsterdã em 1507: Universalis Cosmographia Secundum Ptholemai Traditionen et Americi Vespucii Lustrationes

[2] ITA+ABA+Ü+ONE ou Serra+homem+rio+de onde, origem. Toda a grafia em documentos antigos coloca o “y” ou mesmo “i”, uma substituição ao “u” tremado, como era a pronúncia tupi para rio ou água. Do mesmo modo, o vocábulo “one” tem o significado de “origem”, segundo José de Anchieta; e não de alguém, como costumam alegar alguns, talvez contaminados pelo significado do termo em inglês. O motivo de tal denominação é porque para os índios do litoral, nele existentes quando os portugueses aqui chegaram, os principais rios de Sergipe nasciam na Itabaiana; que, se compunha da serra maior, a Itabaiana-açu, e as menores com subdenominações, como Comprida, Cajaíba, Miaba, etc.. Com o tempo, só a Itabaiana-açu ou Grande continuou com o nome Itabaiana. Logo, o nome Itabaiana era dado a toda a região das serras e seu entorno, entres os rios Vaza-Barris e Sergipe, Cotinguiba e Cansanção, este que divide Carira de Coronel João Sá, logo, divide Sergipe da Bahia. Esses eram os limites originais do município de Itabaiana.

[3] BISPO, José de Almeida. Itabaiana, Nosso Lugar. Quatro Séculos Depois. Infographics. Aracaju, 2013

 

 

José de Almeida Bispo.

Pesquisador, historiador, documentarista, membro da Academia Itabaianense de Letras, ocupante da cadeira número 27 que tem como patronesse Maria Thétis Nunes.